Indicação

A cirurgia de Mohs é hoje considerada o padrão ouro no tratamento do câncer de pele. Se você ou alguém próximo recebeu um diagnóstico de carcinoma basocelular ou carcinoma espinocelular — especialmente em regiões do rosto como nariz, orelhas ou pálpebras —, é muito provável que o seu dermatologista tenha mencionado essa técnica.

Mas o que exatamente é a cirurgia de Mohs? Quando ela é indicada? E por que ela oferece resultados superiores às outras formas de tratamento?

Este artigo responde a essas perguntas de forma clara, baseada nas melhores evidências científicas disponíveis.


O que é a Cirurgia Micrográfica de Mohs?

A cirurgia micrográfica de Mohs é uma técnica cirúrgica desenvolvida pelo médico americano Frederic Mohs na década de 1930 e aprimorada ao longo de décadas até se tornar o método mais preciso e eficaz para o tratamento do câncer de pele não-melanoma.

O princípio central da técnica é simples, mas revolucionário: o tumor é removido camada por camada, e cada camada é examinada ao microscópio em tempo real pelo próprio cirurgião, ainda durante o procedimento.

Isso significa que o médico consegue identificar com precisão exatamente onde ainda existem células tumorais — e remove apenas aquela região específica, preservando ao máximo o tecido saudável ao redor.

O procedimento continua sendo repetido, camada por camada, até que nenhuma célula cancerosa seja detectada nas margens. Somente então a cirurgia é concluída e a reconstrução da área é realizada.


Por que a Cirurgia de Mohs é diferente das outras técnicas?

Na cirurgia convencional para remoção de câncer de pele, o tumor é removido com uma margem de segurança estimada — ou seja, o cirurgião remove o tumor e uma faixa de tecido ao redor, esperando que isso seja suficiente para eliminar todas as células cancerosas.

O problema é que esse tecido só é analisado depois da cirurgia, em um laboratório externo. Se as margens não estiverem livres, uma nova cirurgia pode ser necessária.

Na cirurgia de Mohs, essa análise acontece durante a cirurgia, em laboratório próprio. Isso traz três vantagens fundamentais:

  • Maior taxa de cura: ao examinar 100% das margens em tempo real, a chance de deixar células tumorais para trás é praticamente eliminada
  • Máxima preservação de tecido: como a remoção é precisa e guiada, remove-se apenas o necessário — o que é especialmente importante em regiões delicadas do rosto
  • Reconstrução imediata: como a cirurgia é concluída no mesmo dia, a reconstrução da área operada também é realizada na mesma sessão

Quais são as taxas de cura da Cirurgia de Mohs?

Os dados científicos são consistentes e expressivos:

  • 99% de taxa de cura para carcinoma basocelular primário (tumor tratado pela primeira vez)
  • 95% de taxa de cura para tumores recidivados (que voltaram após tratamento anterior)

Essas taxas são superiores às de qualquer outra técnica cirúrgica ou não-cirúrgica para o tratamento do câncer de pele não-melanoma.


Quando a Cirurgia de Mohs é indicada?

As diretrizes internacionais da NCCN (National Comprehensive Cancer Network) — referência mundial em oncologia — recomendam a cirurgia de Mohs como tratamento preferencial nas seguintes situações:

Localização do tumor

  • Tumores em face, nariz, orelhas, pálpebras, lábios e pescoço
  • Lesões em regiões que exigem máxima preservação de tecido por questões funcionais ou estéticas
  • Tumores nas mãos, pés ou genitália

Características do tumor

  • Carcinoma basocelular (CBC) de alto risco
  • Carcinoma espinocelular (CEC) de alto risco
  • Tumores com margens clínicas mal definidas ou de difícil delimitação
  • Tumores com padrão de crescimento agressivo ou infiltrativo
  • Tumores de grande dimensão

Histórico do paciente

  • Tumores recidivados — que voltaram após cirurgia convencional, radioterapia ou outro tratamento
  • Pacientes imunossuprimidos (transplantados, em uso de corticoides crônicos, portadores de HIV)
  • Síndromes genéticas que predispõem ao câncer de pele, como o Nevo Basocelular

Como é o procedimento na prática?

O paciente chega ao consultório em jejum leve e o procedimento é realizado sob anestesia local — sem necessidade de internação ou anestesia geral.

O processo ocorre em etapas:

  1. Anestesia local da área a ser operada
  2. Remoção da primeira camada do tumor visível
  3. Processamento e análise do tecido no laboratório de histologia do próprio consultório
  4. Verificação das margens: se ainda houver células tumorais, uma nova camada é removida apenas na área afetada
  5. O ciclo se repete até que todas as margens estejam livres
  6. Reconstrução da área operada, realizada na mesma sessão

O tempo total do procedimento varia entre 2 e 5 horas, dependendo do tamanho e da complexidade do tumor. O paciente permanece no consultório durante todo o processo e recebe alta no mesmo dia.


A Cirurgia de Mohs é dolorosa?

Não. Como o procedimento é realizado sob anestesia local, o paciente não sente dor durante a cirurgia. Pode haver algum desconforto leve no período pós-operatório, facilmente controlado com analgésicos comuns.

A recuperação é geralmente tranquila, com cuidados simples de curativo nos primeiros dias.


Quantos cirurgiões de Mohs existem no Brasil?

Essa é uma informação importante para quem está buscando esse tratamento: atualmente, o Brasil conta com apenas 188 cirurgiões micrográficos de Mohs certificados pela Sociedade Brasileira de Dermatologia.


Cirurgia de Mohs em Porto Alegre e Serra Gaúcha

O Dr. Lucas Floriano é médico dermatologista formado pela UFRGS, com fellowship em Cirurgia Micrográfica de Mohs e Oncologia Cutânea, e formação complementar na Universidade de Sydney, Austrália.

É um dos 188 cirurgiões de Mohs certificados no Brasil, membro da SBD e da SBCD, e realiza atendimentos em Porto Alegre, Bento Gonçalves e Caxias do Sul.

Se você tem um diagnóstico de câncer de pele ou suspeita de lesão que necessite avaliação especializada, entre em contato para agendar uma consulta.


Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso é único e deve ser avaliado individualmente por um especialista.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *